segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Canções sobre a Morte

Da certeza de nunca vivida miséria
Interrogo a consciência
Ameaço alienação
Busco por que de suicidas pensamentos
Sede mortal de vida
É um paradoxo
o infeliz a respirar

Morte fascinante
Causa de incertezas
Fato à consumar
Inevitável
Esta senhora dos dias
noites mais
Emprestando a juros altos
dor e sofrimento
Tem sido musa!

Morte fácil sedutora
Antes algoz que meretriz
Perseguindo fugitivos
Ignorando seus amantes
Quer a todos com desdém
Consegue nada que quer
À alguns tira a luz
Outros, obscuros, lança nas sombras
Nunca dificulta sua conquista
sempre aquém do que se espera dela
Vontades imprevisíveis
Resoluções opacas sem retorno

Morte afrodisíaca
Desafiantes desesperados
Buscam doar novas luzes ao fim
Excitantes perigos caos impotentes
Narcisos desejoso aterram
seus prórpios dogmas
Não escapam
Nem solidários nem bígamos
Nem crentes por mais que se chateem
Quanto mais perto,
amadurecem e se multiplicam,
os que apodrecem e abandonam

Morte é chegada
Nunca exílio ou temporária
Definitiva, anima efêmeros de partida
Adorada, Maravilhosa, Digna de culto
mas não alvo de ódio
Culpam quem morre,
tardia sua rendição,
gerando ilusórios vínculos
Insípida, inodora, translúcida
necessária como água
A morte não se esconde,
nem informa
Não se apresenta ou bate o ponto
É perene no leito que à serve

Elogio à morte,
são suicídas pensamentos
de querer viver
descrições e reflexões
Seguras por covardia
Aceitos seus carinhos,
a culminar no seu abraço,
sem pressa pelo seu amor