sexta-feira, 29 de maio de 2015

Desmembramentos I


Se segure por ai
mas segurar o que sou
que controle sobre o ser
que permanece sem vazios de mim?
Talvez seja só uma música calma
que me chega meio turva
pelas vertigens que ensurdecem
Mas no meio dessa nota
So ficam risos por ai
Então segurar o que?
Deixe o animal sair
não feroz nem fatal
apenas uns arranhoes?
Umas mordidas quaisquer?
Só porque gritam ou gemem?
Do que tem medo, de tanto controle?
De rir, de mostrar seus dentes
meio com vergonha e dor
ilusórias do que deixou pra traz?
Não lutou para chegar aqui
e se ver o que é?
Encara que a luta era sem sentido
Que sempre foi que sempre sera
o tigre que sorri entre os dentes
que anda na corda bamba
na qual se coloca por diversão
que se limita por desafio
apenas para provar ao nadas passados
que pode
Olha para tras e nega que o animal
sim o animal, alguma vez
uma única vez esteve enjaulado
Venha ate o rei
mas deixaria pedra sobre pedra
de qualquer maneira?
Ah uns pedaços de carne
Umas tristezas? Nunca foi anjo
nem demonio, só ego
Uma luz que cega e não permite
ver a verdadeira luz
Jogando a física no lixo
Nunca foi pequeno e nunca foi grande
mas foi sempre eu
Se fazendo de outros por diversão
ate tristeza passou do teatro
dores que tomou por deleite
Mas desvelando-se a alma
resta só o jogo final
Vai mexer com a besta imunda?
Quase charada de pernas.
Andar no meio fio se sentindo equilibrista
Autodestruição para reconstrução
num eterno castelo de areias de gente
Pisado pelo cavaleiro do tempo
viu sonhos. Estava la sem lugar
e criou o seu lugar