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terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Haikamon II

Segundos olhos admiram confrontos
Segues recíprocos dos belos deprimidos
Expostos maravilhas do ainda primavera
Imóvel por eras, nos grãos hesitantes
Como é e porque é
Paz violenta que arrebata, encanta
Preenche, infiltra
Tudo novo brilhantes adocicados
No ar mera impressão prestes a confundir
O retornar a um absoluto
que nada diz, nada significa
Clímax que não sustenta por sí
Na visão, ao longo inevitável
Sem destino, escolha ou maldição
Parte daquele todo que ri
Arrepiando troncos, gelando seivas
Acordo cheio de orvalho
do sonho quase é

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Letras da Carne




Poesias tristes são bonitas
como um entalhe de faca pode ser
Nos atrai e causa repulsa de nós mesmos
Alguns abraçam o horror como algo natural
Passam a alimentar a fera
Tornando discípulo mais humano
Moldando seu vazio
no assombro do mundo
dando sentimentos de comer
e lágrimas para que desfrute
Crescendo seus olhos de sangue e palavras
Versando dores até o osso
Cortando pele, músculos e limites
Apenas para extravassar
o que dentro nos habita
Liberando a pressão da nossa vida
Expondo nossas artérias ao prazer do vento

Outros temem o mal e fogem
Se frustram incapazes
As lágrimas marcam a linha do sorriso
O corte precede o desenho destino
À ele segue sempre quente vermelho vida
Estamos nos esvaindo, sim.
Mas, vivos.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Speaking in flames




Sinto a sanidade prestes a arrebentar
Mas não temam
fui amaldiçoado com bom senso
Acordo todo dia pensando na faca
Durmo sonhando com fim do poço
Mas não temam
serei vivo alegre e melhor todo dia
Cada célula é desgosto autodestrutivo
Busco a perda como amante
Mas não temam
Sentimento não passa
Sou capaz de qualquer coisa
E nada farei
Potencial eterno, um vazio sangue
Guerreiro desde sempre
Ainda que tenha abdicado da espada
Mas não temam
Não sofrerei. Machucarei
Sem vingança ou ódio. apenas destino
Um homem e por fim humanidade
Passos pequenos de um apocalipse
Mas não temam
Quero o bem menos pra mim
O que devem temer sou eu
Mas não é preciso me temer
Vou me consumir em paz
Apenas um morto-vivo fútil
Lembrem-se apenas:
aquele lugar quente e cruel
o lugar do mal e do pecado
está aqui dentro.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Eu e Depressão


És tu a azia constante
Pacificadora de alegrias
Fiel ao meu corpo
Pedindo ânsias destruições
Purificações em liras,
notas em sangue
Não me deixe jamais
Percorra minha mente
Livra de sorrisos
Envenene teu servo
Que se faz verter lágrimas,
caindo infinito
num abismo de si
Autopiedade escarlate
Cresça culpa doce!
Leva ao me esquecer
Sombras dominem
Afundando relevarei
desejos e fantasias
negando que quero
Durmo acordado
sonhos malucos por tu
Venha e tome o teu
Devore o que é bom
Deixa só as memorias tristes
para alimento de ti
Apague os versos de amor
Fique só reticentes
letras protagonistas e sós
eu e tu, depressão.


Passado é difícil quando só
Nas sombras seus pecados
Na janela seus sacrifícios
Do nascer à parede
abrimos mão de nós
e do que amamos
Mas solitários arrependidos
gritamos alto que não volta
Silenciosos oramos
pelo céu que jogamos fora
Encaramos escolhas feias
toda nuances sofrimento
Protagonistas do vazio
por dentro abafados
puro suor frustrante
Fortalezas sem coração
Apenas ansiedade ao vento
Leve minha felicidade!

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Palavras ao vento



Estamos longe
Minhas palavras estão ao vento
Somente sonhos
Irmãos combinados,
correndo um do outro
Correndo de si e do que sentem
Redemoinho interminável
em quatro cantos calmaria
Responsáveis pelo que não pedimos
sem culpa nem orgulho
Felizes de viverem
corações num mesmo bater
consumindo com brilho ofuscante

Não vale nada
Nem confiança
Nem crédito
Efêmero

Mas o vento ouve
juras eternas de amor
quaisquer os venenos da alma
inseguranças ou medos
Tem paciencia!
Muda de areias a montanhas

Meu corpo me trai
A mente me engana e mente
Mas o vento ouve inutil verdade
Sem pode aprisioná-la,
agarrar-la ou deixar ao destino
Sumindo num redemoinho

deixando amor escrito em lágrimas

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

A noite em seu olhar


O rio esta frio, congela minha alma
As águas cristalinas da verdade percorrem meu corpo...
Pena que estou morta
Vivo esses últimos dias a suspirar
pelo resto de vida que poderia ter para voltar...
A sentir o calor da tormenta...
A brisa leve no farfalhar das arvores no outono
Ah! A crueldade do outono

Não sei

Faz morrer em mim... aquilo que já não sou!
para nascer depois que o inverno passar
Sempre flor ainda por reconhecer:
Eu sei e me dizem, mas sou surda
eu vejo iluminado, mas cega
sinto em pelo mas me nego
Mas tu, cavalheiro da noite
será bendito ao me buscar outra face de mim, 
Sou mas inexisto!
A não existência me deixa em doces angústias:
Sinto falta do não sentir à espera

Agora, o espelho...
De um sonho que me embalasse
Ouço nele os cascos de seu cavalo
Ouço seus brados por mim!
Envolvida, perdida e feliz
Mas no espelho...
No espelho me acho:
Reflete a verdade perdida de mim e me encontro, enfim

Que bom esse frio que sinto!
são as sombras do amor que tive
A memória de suas mãos
ou será a água gelada roubando as novas que não terei?


André Peixoto e Ana Célia

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Carnificina Alegre

A solidão é maravilhosa para quem se odeia
Tanta dor me causo
Me torturo me culpo
Isolamento finaliza o corte da minha alma
Experimento quanto posso aguentar
O tempo que levo para o suicidio
ser mera formalidade
os versos que poderiam machucar devem ser guardados
sua escrita mediocridade
seus significados perdidos em risos de confusão
A ignorancia diminuindo qualquer significado
Reduzo ao tamanho do nada
Quero ser esquecido
Mas antes quero sofrer
Arder num fogo escultor
abrasar meu orgulho
Virar um chamuscado monte de bosta
cansado do treinamento
estou cada vez mais proximo do inferno
minha garganta se fecha
meu sangue engrossa
eu coração se endurece
Soldado nu no campo de batalha
Unica espada erguida de sangue

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Feliz

Morrer não é tão ruim
tive tudo e perdi
como meu membro
minha carne
o sangue brilha
escorre do meu sorriso insano
sem limites ou moral
sem crenças ou dor
capaz de tudo
contra eu mesmo
contra todos
venha mundo
um por um
ou todos de uma vez
vou devorar vocês
como devorei minha alma
venham encher meu vazio com seu sangue
venham conhecer a desgraça
desespero de que sou feito
Não mais me prendo as correntes
Não mais impedirei meus impetos
ou pensarei no próximo
Para cada danação
Terá meu ódio cada pessoa
Somos mediocres
Tenham medo, sou o fim e estou chegando
Só pode ser feito por quem odeia
e não se importa
Por quem ama e abre mão
Por quem corta a si mesmo por prazer
Morrer não é tão ruim
Venham ser colhidos!

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

hoje, como ontem

Hoje vi uma folha seca ascendendo
e voltando a parreira
do fim para completar a degeneração
transformar e participar de outra
vitoriosa na autodestruição
espectadora de suas próprias dúvidas
deixando se apoderar pelos sentidos
Que inveja!
Deixando se levar pelo vento
o mesmo que me trás apenas informações
corroendo meu interior aprofundando
minha introspecção
o medo, posso vê-lo, saber onde está
porque está
mas posso sentir?
estou a tanto tempo fingindo que não sei o que sou
não sei o que sinto, se é que sinto
estou cansado
não quero mais me esconder
mas toda vez vez que abro a caixa vejo
não há nada aqui

é isso que me faz sofrer
não são os percalços ou a dor
não são os prazeres ou as decepções
é a ausência de tudo isso...

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Sonhos do inferno

Com cães, sangue, fogo
estivemos sofrendo
apenas sonhos
Dor agora, cada onda
Calma dilacerante
Lâminas sem destino
apenas suaves a desmanchar
carne do ser
Realidade sem pressa
sem tempo de espera
cada segundo nivel acima
gritos afogados sobrepostos
anestesiando a ignorancia
Consciencia da merda
fonética ou sensível
na qual você se encontra
Vá se iludir!
O inferno é aqui
Qualquer pesadelo é mera fuga da verdade...

domingo, 12 de dezembro de 2010

Dia a dia

Ontem eu queria morrer
Hoje quero morrer
Sou o pouquinho de nada
Incoerencia provocante
A loucura necessária
Merda que quer morrer
Incentivando aqueles outros para que fiquem vivos
Só não posso me salvar de mim
Autodestruição desse pretensioso
Me move
Não vou me matar como não me matei
Mas a cada segundo quero morrer
Não faz sentido e não poder ser
Sou impiedoso me deixo sofrer
Me odeio odeio essa covardia
Alguém acabe com isso por favor
Imploro
Sou um babaca mesmo

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Desejos de morrer

Penso em morrer da hora que acordo
até a hora de dormir
Me desfaço a cada atravessar
Desabo com peso pena de mim mesmo
Não há mais motivos
Só covardia e por fim continuar
Incapaz imagino fazer
Falecer sem querer
Nem amor nem desejos que não morte
Chega de buscas, paixões, esperanças
Decepção intrasponível
Desistir recorrente apenas retórica
Palavras entregues a vazios fatos
Vivendo intenso a morte
acelero pontos finais extrapolados

Não quero continuar vivendo
mas não posso parar de morrer
Fins, novos começos
O inferno é aqui
e sem crenças objetivos
Sou demônio sorridente

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Cansado

Saturado de ilusões,
Sobrecarregado com a questão
do que é ou não é
nessa profusão de emoções
no infindar do fim do mundo
Eternamente tomando
cargas para si

E com maldição inflacionada
de sonhos furados…
Cheio da poética e preso a ela,
sempre por elas,
que invadem
um eu de inanição

E haja fim da história
para tanto recomeço
e sofrimento
que, nas suas morais,
vão diluindo,
aos poucos,
minha razão

A Divina Discoteca

Demônios players

Anjos vingadores
caídos de seu céu
Discos arranhados
na obra de Deus
(artista pop com sua legião de fãs)

Players tocando
a necessidade de amor
Players proclamando
impérios coletivos da dor
Players divinos
na diabólica chamada
pela volta do salvador

Demônios players
falando de historicidade
Negando a paixão de cristo
Cantarolando que Deus nos ama

Seus best songs
carregados de bebidas
de água à tequila,
vodka à suco de maçã
Ao som de pastores
mexicanos orando
Que lástima!

Demônios players
Penso sobre o amor
Escrevo linhas mortais
As divinas
As proibidas
Tento colorir figuras
com uma só cor

Como se de um ponto
viessem as origens do amor

Demônios players
Seus celibatos quebrados
são também minhas linhas

No céu e na terra
(ou debaixo dela)
é errado amar:
só pode levar ao diabólico estado
da felicidade

Demônios players
Uma canção, please
De altos e baixos com muita cor, sempre preto no branco escrevendo limpo, vozes no coração, suspiros de sonhos, rosas ardidas, gargantas roucas, melodia num desarranjo estomacal
Tudo em harmonia
Canção como a vida

Players de pimenta,
com suas artimanhas
Olhos peneiras
corrompidos por lágrimas
Pensando em Deus
e no diabo do próximo
Amando sua mãe
até a nossa
Desejando prazeres da carne
que são nossos

Sabores de puras paixões

nos pondo pra correr
tartarugas nas fugas
de nosso demônios
Demônios players
Tocando vivas músicas

Fezes aos demônios
e as suas canções gospel
Morte aos ateus
Aos irmãos de fé, amigos, entes queridos,
cartomantes, seres divinos
Todos me sigam ao fim do disco!
Ao cú do mundo

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