Coração acelerado prestes a sair cometendo loucuras
Aliás, loucuras não: uma loucura
Uma vírgula dividindo o antes e depois do desastre,
não como barragem, mas como liberação que ronda sua floresta, montes e pastagens
Um desejo só de jogar foras a nós e entrar naquele mundo de prazer prometido,
mesmo que todas as juras sejam decepcionadas,
que se sigam horas fio numa busca prazerosa pelo inalcançável
Ainda seja dentro que resida a resposta, quero fazer a pergunta sem palavras
só carinhos e dedos,
expressando línguas aqueles argumentos,
que nada têm haver com cuidado
Queria parar de escrever e agir, seduzir
Mas escrevo sem parar, esperando que saia como gozo,
todo o calor desses pensamentos
Tudo para aflorar aquelas suas imagens onde me iludo participar
Aos poucos a respiração acalma
Então vem o medo de abrir a porta e a verdade sair comigo
Não penso que mal tem aqueles que vão morrer arriscar
Arriscaria o autoengano que a saudade do fundo do poço anseia
Não penso qual o seu gosto ou que gritos faria
Grito: não vá e se for devore
O que penso é que não existe culpa
Que, do começo ao fim, não somos melhores que crianças
Sem orientação, sem respostas
Pior, somos desejo e preconceito,
presos a uma moral duvidosa de que não queremos fazer o outro sofrer
Combatendo sem motivo, um tesão reprimido
quinta-feira, 25 de maio de 2023
Da loucura a razão
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021
Vã
Construída do fundo do poço, tocada pela loucura
Cedeu ao desespero, vendendo sua alma ao repúdio
Passou a alimentar as fantasias dos cruéis, tornando-os clientes
Virou mestre dos jogos, psicológicos e lógicos,
controlando mentes e corpos
Além de qualquer moral, seguia apegada ao primeiro que cuidasse,
daquilo que sacrificava
Queria um escape de si, orbitando o limiar da autodestruição
Se fosse poesia, seria soft rock e um punk verso
mas era mulher obcecada por aquilo que afastava,
pois assim é o medo
Sob certezas e convicções se enterrava no trabalho de satisfazer o outro, e era assim que passava a se existir
A mais efêmera das estrelas, desnudando a si e a tristeza do mundo
apegada àquela fantasia do salvador capaz de se sacrificar
para fazê-la brilhar eternamente
domingo, 7 de fevereiro de 2021
Cavaleiros do Tempo
Cavaleiros do tempo.
Atravessamos o tempo achando que é um deserto
Não vemos pessoas e ficamos perdidos, apelando aos vícios
Não bebemos água e ficamos com sede, enfraquecendo sem perceber
Vemos miragens e investimos nosso tempo no vazio
Nos vemos em lugar nenhum, só querendo nos encontrar
Falamos sozinhos sem escutar o vento
quando fazemos rimas e brincamos, dizemos é o sol e a loucura
Queremos que tudo acabe logo
Tudo isso até que seja perto do fim
Cavalgamos o tempo e o achamos arredio
Olhamos envolta e temos raiva do horizonte
Pisando e pisando na areia sem fim do ódio e do medo
Afundamos e rimos, choramos indignos segundo a moral do rio
Pensamos e amamos no fim com tudo mudou
O significado do eu diante do seu, não importa nem o sacrifício
O que resta é o último dos cavaleiros do tempo
É quando olhamos para trás, do alto do futuro
O que vemos lá? com olhar de um bebê, cachorros lembrando carinho
Uma balada que atravessou, erros e surpresas
Os planos e fugas, desejos de letras
Vemos o que escrevemos sendo deixado em papeis esquecidos
Vemos que a chama se esvai e ficam delírios do vento na cara
Da areia no pé, que pisando não via, afundando a vida
Ou fundando... ?
Quebrando a narrativa, senhores do tempo, a existência que construímos.
Nunca foi um deserto!
Atravessamos amigos, amando e sorrindo, chorando e tentando
Construímos o eu e o lugar chamamos meu
Onde foi? lá nós bebemos e comemos partindo o pão com iguais
Fizemos verdades e virtudes, construímos nossa força
Passamos de fantasias a seres, de potência à pathos, ativos
Sentimos o vento e respondemos frases e apelidos
Fomos loucos ensolados, crianças
Cavaleiros do tempo
quinta-feira, 23 de julho de 2020
Sobre o vestido
segunda-feira, 27 de abril de 2020
Nu entrelinhas
Que não entendem sobre mundos entrando
Sobre a solidão de seguir na frente...
Digo que não sei da loucura que passam:
acorda que piso, já conhecida, se mola
Digo que não sei sobre essas estrelas de que sentem falta
Mentira, que sei
Apenas foi bicicleta:
aprendi, o silêncio produz as sombras
Que viram dramas,
daí, uns ramos no papel...
O impressionante na falta
é que meu passeio rendeu eu
Eu, tomado pelo universo que vi
Todas as oportunidades perdidas
Todas as guerras que não ganhei
De todas e todas que decepcionei,
ansiedades que me partiram,
única coisa foi que [eu] perdi [eu]
A carência, o calor, arrepios,
medos e floreios fúteis por aí,
na loucura do escancarado,
escarrado por telas gritando
em belezas os desesperos:
Não foram mais curiosos!
Não mais que o estranho que voltou
Como o novo sobrevive de experiências antigas,
enquanto mundo desmorona das ruínas que questionei?
Mundo é a desconstrução da minha ilusão?
Àqueles que se perdem por aqui,
entre solidão e medo,
entre ilusões e crenças,
entre suicídio e sorrisos de foto,
digo "joguem fora o sentido!"
Decidam num jogo de palavras!
Deixem a sorte guiar o texto...
Deixem nu entrelinhas!
O que volta é poesia...