segunda-feira, 27 de abril de 2020

Nu entrelinhas

Àqueles que se perdem por aqui
Que não entendem sobre mundos entrando
Sobre a solidão de seguir na frente...

Digo que não sei da loucura que passam:
acorda que piso, já conhecida, se mola
Digo que não sei sobre essas estrelas de que sentem falta
Mentira, que sei
Apenas foi bicicleta:
aprendi, o silêncio produz as sombras
Que viram dramas,
daí, uns ramos no papel...

O impressionante na falta
é que meu passeio rendeu eu
Eu, tomado pelo universo que vi

Todas as oportunidades perdidas
Todas as guerras que não ganhei
De todas e todas que decepcionei,
ansiedades que me partiram,
única coisa foi que [eu] perdi [eu]

A carência, o calor, arrepios,
medos e floreios fúteis por aí,
na loucura do escancarado,
escarrado por telas gritando
em belezas os desesperos:
Não foram mais curiosos!
Não mais que o estranho que voltou

Como o novo sobrevive de experiências antigas,
enquanto mundo desmorona das ruínas que questionei?
Mundo é a desconstrução da minha ilusão?

Àqueles que se perdem por aqui,
entre solidão e medo,
entre ilusões e crenças,
entre suicídio e sorrisos de foto,
digo "joguem fora o sentido!"
Decidam num jogo de palavras!
Deixem a sorte guiar o texto...
Deixem nu entrelinhas!
O que volta é poesia...

terça-feira, 31 de março de 2020

Comentando desenhos

Vontade devorar calada, voz submissa
Olhar é suplica no aperto meu contra seu
Quero dominar como te marco em lábios
Ser no seu ombro aquele vulto
Suas costas linhas de minhas mãos
Abraçar teu esquio, fazer gritar seu prazer
Consegue imaginar a mordida?

Sussurros, ouve? Enquanto respiro você
Cresce fome ali, sem pressa rondando seu seio
Dando raiva pelo desdém ao seu desejo
Provocando e provocando enquanto pele estica
Entumece sua sorte, um arrepio aqui ali
Quando seu corpo encontra parede sem saída
a não ser suspirar enquanto...

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Voltar além


Energias que envolvem
Fluem acontecem seguem
Reciclam viajam...
Transformam o cosmo em mitos
que seguimos, falsas verdades metafísicas
dizem “como verdades e não mentiras”
E comem e comem, essas energias
Respiram sem perceber tudo supérfluo, aquele gênio:
Em essência artificial sentido e emocional como gárgulas que protegem,
não corpos mas sanidades de águas
(dos rios ou em escarpas...)
Olhando ali de cima a decidir se joga ou se mata
se segue ou motiva, sem consciência de si
Tudo imerso na ilusão de algum lugar a que se chega,
quando encontra os moinhos falso que persegue
Assim, mesmo parado sentado em preconceitos,
são como cantos não de pássaros,
mas do silêncio da razão
O mesmo que cria as serpentes de muitas cabeças,
mas sem o cabimento do fato
E dardos que lançam por ai se perdem e acham adeptos
que seguem cegos as cruzes e advinhos autoproclamados sábios
Estes não sabem encontrar nem verdades nem clitóris
Se acham sem surtos, curtos pensamentos que não viajam
Só cagam dormem e são por que tem ali na esquina uns loucos
que os questionam
Porque na natureza são menos que pedras
e no ciclo emperram achando a alteridade vazia
Tudo eu idealizado, tudo pequeno naquela mente
Céu fechado, nuvens dogmáticas mesmo
Contudo a energia vai circular, ao po de volta
se tornando de novo alguma coisa relevante
Um grande pensador qualquer, ou um seguidor
São apenas a negação de seus eus efêmeros
Uma energia que nem se vê e entende nada…

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Obrigado, dor

Dor, minha amiga, sei quem você é
Assim te chamam por medo de você
Se pra mim é dor pra você é eu
Eu que sente, chora e ri, depois sofre
E quando escorre e te xingam, dor...
É o machismo do "boa moça", "não chore"
Mas sei que você é o que se faz
Dor é só um lado que escolhem
para acusar
Esquecem você é mais
Do outro lado foi amor, amizade,
Foi companheirismo, foi sujeira e suor? foi sim
Escapa linhas e palavras isso que você é
Foi transa e beijo, um olhar sem receber?
Foi e mais, foi semem e desgosto
Foi vício e apego, e mais !
Mas eu te considero, minha amiga
Porque com você me sinto vivo
quase um clichê do ter você, ao menos
Sabendo que você é tudo que não menos
Não quero me repetir, so que agradecer
Obrigado por me inspirar com lágrimas
Querida, dor

Só vem


Tem dilemas diante do caminho
mas dúvidas sobre o que sentimos?
Haja culpa diante das escolhas, não sei
mas fugir de nós mesmos?
Podemos gritar e lutar e nos debater
mas com nossa boca, na tua ou fechada
Frustrados ou decepcionados, é humano
mas sofrer sem viver?
Que arrogância toda é essa
de saber que o melhor é não saber
Atravessar a vida sem olhar…
Quando além do racional, já fomos lá
Queremos brigar com o mar
Vamos segurar nossos risos?
Que dilema é esse, negar o passado
ou regar o futuro?
Expectativas, vistas e corpos, tudo isso…
vamos rir e fazer rir
vamos ser e viver
propagar ao próximo, o sentir
Sei dos dilemas todos,
mas fecha os olhos
e vem, só vem

Ode às lágrimas


Dos preparativos à melancólica pós-existência nos rituais em que interpretamos a nós mesmos
Sempre seguimos e chamamos um ou outro de dor, no corredor das memórias
Mesmo fluxo de prazer, alegria, tristezas e mortes virando a esquina, esquecidos
Tudo isso deixou marcas, não nego, mas o que se quer na volta, o que será em volta?
Presságios presentes de duetos em preto e branco? lagrimas e suicídios textuais?
Sei que nossa poesia é aleatória para o universo, fazendo um sentido, mão única
Como uma estrada e todas as estradas, sempre levando ao mesmo caminho nós
Pé ante pé diante do próximo passo ao um abismo chamando eu e sendo eu
Esses caixões travesseiros, travessos de uma depressão? São textos ! Tijolos que vem e ficam
Até sair em versos ou num silêncio não escrito, choramos, rimos, amamos, morremos.
Sentimos e escrevemos, ainda estamos por aqui

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Pele sob a pele


Como é grito de quem luta consigo
Como é dito quem odeia se é
Como faz para esquecer
Como faz para se dizer
nas letras que enojam
Amar nos atos que repudia
Que dança é essa
onde você desarmoniza
Com quais lagrimas
pode chorar seus erros
Com qual razão vai negar seus instintos
Com qual moral se justifica
Se tudo isso é você.